quinta-feira, 27 de junho de 2019

Vinte Reflexões sobre a Maratona do Rio 2019


  1. Não ir com tanta antecedência: É bom passear, é claro, mas chegar, pegar o kit, comer algo e tentar dormir talvez seja melhor que "saracotear" dias antes. Primeiro porque não teria duas noites de insônia, apenas uma, a da véspera mesmo. Segundo porque desconfio que os meus passeios, especialmente o noturno da Lapa, agravaram o meu problema na traqueia.
  2. Se treinar certinho e não ter metas de tempo, dá pra ser feliz numa maratona, mesmo com problemas de saúde ou insônia. Nosso corpo surpreende!
  3. Estou tendo prazer em correr maratonas: não é algo comum, nem que chegou de uma hora para outra, mas está acontecendo, como naquelas paixões inesperadas por algo aparentemente bruto e sem refinamento nenhum.
  4. O Rio de Janeiro, mesmo com o percurso alterado, foi o lugar mais bonito que já corri. As cataratas  são lindas em Foz, mas elas ocupam um trecho muito pequeno da prova. O Rio de Janeiro é todo lindo, menos os túneis ( só para tirar  fotos possuem alguma  utilidade!)
  5. Pesquisar muito bem o hotel em que ficaremos: o que fiquei serviu café da manhã às 4 horas, teve jantar de massas e tudo (não como, mas tem muita gente que curte), mas o barulho da caldeira era insuportável, especialmente à noite. Pesquisar um hotel com estrutura física mais atualizada para a próxima vez.
  6. Realmente, até agora, tenho tido muita sorte com a temperatura nas maratonas que participo: até no Rio foi muito agradável, menos no túnel. Aliás, tô começando a pegar birra de túneis...
  7. Amo tangerinas em maratona e esta teve. Também teve muitos pontos de hidratação ( bebi água em todos) e gatorade nos copinhos. Realmente curti muito esta parte. Quem precisou de auxílio técnico de massagens e gelo foi bem atendido.
  8. Foi a primeira maratona que parei para ir ao banheiro. Acho que bebi muita água mesmo...
  9. Não me esquecer que as taxas de bagagem acima de 10 quilos -que o atual presidente permitiu  que continuassem a ser cobradas de forma abusiva - me impediram te trazer presentinhos do Rio. Não me conformo com este governo...
  10. Ano passado escolhi vermelho para correr a maratona, este ano a cor vinho no Rio. Tô achando legal este negócio de roupas especiais para o "grande dia", estou pensando em verde escuro para a próxima em Curitiba!
  11. Vou ter que correr novamente no Rio para fazer o tal "Leme ao Pontal". Só não sei quando. Fiz o Leme ao Pontal de carro (uma parte no domingo, outra na segunda), mas não é a mesma coisa.
  12. Chateada por causa da minha traqueia toda ferrada que me impediu até agora de me acabar no chope ou comilança pós- maratona. Aliás, ela também está estragando a semana toda, uma das melhores partes de correr uma maratona: fui fazer uma caminhada com o marido ontem e tive crises de tosse à noite. Tá osso!
  13. Respeitar uma maratona e segurar a ansiedade na largada: aprendi a minha lição!
  14. Como foi sensacional ver o apoio das pessoas na maratona do Rio, quase o tempo todo!! Que diferença isto faz no psicológico da gente, dá vontade de dar abraços em todo mundo que torce pela gente!
  15. Caminhar e voltar a correr, intercalando, durante uma maratona:não é o fim do mundo e ajuda muito quando as nossas condições físicas estão precárias. Pra que tanta vaidade pra correr num tempo rápido quando se pode aproveitar toda a distância?
  16. Não quero nunca mais participar sozinha numa maratona, como foi bom ter as companhia da Bete, da Inês e, já no Rio, da Lilían. 
  17. Queria que todas as maratonas tivessem o "chuveirão", no meio do percurso e no final da maratona, como aconteceu no Rio! ADOREI! (Tá certo que molhei o tênis todo, tive que voltar com ele molhado porque ele não cabia na minha bagagem de mão, mas valeu a pena!)
  18. Todo mundo deveria correr no Rio de Janeiro: ele continua lindo!
  19. Quem correu a maratona do Rio não merecia aquela medalha feia (dá a impressão até que é defeituosa!) e não receber a camiseta famosa laranja que sempre caracterizou a prova. única mancada da organização, por enquanto ( ainda não testei o reembolso do dinheiro do ônibus que não foi usado.)
  20. Fotos: melhor parte das provas: 
  1. Só por esta foto já valeu a maratona

Antes da Largada: Com Bete, Inês e Lílian
"Saracoteando" na Night Carioca


Medalha feia e defeituosa









sexta-feira, 14 de junho de 2019

Último longo e Anseios para a Maratona do Rio 2019

No começo, detestei a mudança do percurso da maratona do Rio. Mais uma vez a música do Tim Maia e o meu sonho do "Leme ao Pontal" foram adiados e isto me chateou muito, pois não consigo fechar este capítulo do Rio. Espero que a vida seja grande para que um dia eu consiga correr este trecho, mas, por enquanto, o destino parece estar de sacanagem e me obrigará a  voltar mais vezes para o Rio. E não sei se ele está aprontando comigo ou quer apenas que eu me divirta no futuro, só o tempo responderá isto.

O percurso 2019: dizem que é o mesmo dos anos 80...


Mas agora, já adaptada às gracinhas do destino, estou ADORANDO a mudança: e não só porque a largada será mais cedo e perto do hotel que ficarei, mas porque estarei correndo uma maratona ÚNICA. As pessoas poderão dizer: "Já corri a maratona do Rio", mas eu responderei: " Mas não a  MINHA maratona do Rio, que foi de uma safra especial, com camiseta e medalhas feias, mas foi uma maratona EXCLUSIVA"

E haverá edifícios antigos do centro do Rio fazendo sombra e a impressão que tenho é que  terei um "dèjá vu" de Porto Alegre, o que em certa parte me assusta, pois me ferrei por lá, mas por outra cria uma oportunidade de consertar erros que cometi em POA,  trocando o Rio Guaíba pelo oceano e o frio pelo calor. Também estarei trocando a solidão daquele fim de semana de 2017 por um acompanhado de amigas corredoras daqui: que mudança!

E estou tão ansiosa e feliz por fazer esta maratona no Rio que quase me salta do peito o coração! E isto é muto estranho e perigoso, porque não tenho ambição nenhuma e não sei se isto é  positivo, pois pareço  também estar com uma confiança exagerada nesta felicidade que antevejo e, por isso, posso fazer bobagens na prova, mas nao consigo parar de me animar e nada está me dando medo, pelo menos por enquanto. Isto não é normal, não sei o que está acontecendo! Parece que o espírito dos maratonistas de todo mundo se apossaram do meu corpo numa sessão religiosa! Não me reconheço naquela mulher apavorada em abril em Ubatuba, que não conseguiu fazer longão, nem mesmo correr, que pensou seriamente em desistir de tudo:  é como se ela tivesse ficado por lá, naquelas trilhas e esta que está por aqui, nem sei quem é!!!

Os "espíritos que me possuíram": espero que não me abandonem no dia 23 de junho

As preocupações técnicas com a maratona se reduzem a um calo na sola do pé, que insiste em doer e nem treinei  ainda com um protetor de calos para saber como será a sensação. Também estou em dúvidas sobre qual tênis correr. Já senti dor na canela, joelho e o tendão, mas nada que me atrapalhasse correr, gosto de pensar que é só cansaço, que o polimento resolverá tudo. Se "quebrar" algo, será durante a maratona e desde que eu a conclua estará tudo bem: planejo um mês de julho bastante tranquilo, descansando o corpo para os objetivos do segundo semestre que ainda não estão bem definidos.

Como foi o último longão? No mesmo percurso anterior e foi tudo de bom, melhor até que da outra vez. Não estou com o ritmo tão bom quanto o ano passado, mas me sinto bem. Andei apenas uma subida, a da Goodyer,  mas não achei o fim do mundo, nunca vejo problema nenhum em andar!

Semana que vem, numa hora destas, estarei- espero- no meu quarto de hotel dormindo super bem, porque sei que na véspera não dormirei nada e até isto já acho que faz parte da maratona! Mas para falar a verdade, por mais que eu esteja animada, não vejo a hora de acabar logo o dia 23 de junho e virar esta página...

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Percurso Novo: Goodyear 33km

Depois que entrei no "modo maratona", tudo se encaixou melhor, especialmente a ideia de um novo percurso. E depois de tanto tempo fazendo os mesmos trajetos de super longão, finamente tive a coragem de um novo desafio: ir para o lado de Americana- porque correr até Limeira não dava, a subida depois da Goodyear não é uma subida de Deus!

A "Meta" parcial
Foi um treino solitário também, e tudo bem, já estou acostumada.Foi bom pra sentir o meu corpo, pra ver como eu estava. Além disto, ficar levando colegas para correr num percurso ainda não "testado" não é nada educado...

Saí mais tarde que o normal, estava frio, que coisa linda é o frio, a gente corre quase sem suar! E ainda não sei se gostei do percurso ou da temperatura, porque até o 21km  não me considerei correndo, mas  flutuando nos céus dos amantes das longas distâncias, me peguei de braços abertos várias vezes, como se a vida estivesse soprando o meu rosto!

Cheguei num trecho de descida lá pelo Km 10, vi uma fumaça meio escura e fiquei pensando que droga de mundo era aquele com queimadas já de manhã! Mas quando cheguei na parte escura, não senti cheiro nenhum e perguntei para uma moça que fazia caminhada que fumaça era aquela e ela disse assim, bem bonitinho:
- Não é nada não, é só o frio que faz este efeito.
Sorri feito boba de felicidade! Vem com tudo, inverno!

Depois da linda nuvem de frio, vi uma rua totalmente plana e já mentalizei futuros treinos nela, afinal achar uma rua de litoral no interior é muto raro!
Parei numa região alta nos 18km , antes do retorno, tirei foto para mandar para o marido e avisar que dali a 15km eu estaria chegando.

Foto que mandei pra avisar que eu estava bem
Mas, como disse, chegaram os 21km e  começou a ficar desagrádavel o treino. Usei um tênis que nunca havia enfrentado um super longo e a minha sola do pé queimava, então  procurei grama para correr ou parar um pouco até a sola "sossegar" (estou com um calo rebelde no pé que se recusa a virar crosta dura e tem sido difícil correr com ele)  E, pra piorar, fui tocar no meu Garmim e o treino foi concluido no 21km, que raiva, queria muito ver o total no final de tudo e o treino ficou quebrado, coisa mais chata!

Tinha avenida fechada para corrida, desci, depois subi o restante dela com a sola do pé queimando, desci outra avenidona, tomei uma Coca horrorosa sabor café ( por que fazem estas coisas medonhas?), desci a  avenida até o Centro Cívico de Americana, fui até o final dela, uma subida do inferno (previamente calculada para ser o trecho que eu iria caminhar) e quase morri de medo de ser atropelada no acostamento da rodovia Luiz de Queirós - vou ter que fazer outro trajeto para não passar por isto da próxima vez. E a partir dos 30 km, algo que tinha sumido, apareceu: o "colapso" muscular!

Correr com a musculatura endurecida da panturrilha é muto sofrido e a partir daí fiz fartlek de 500metros. E quando eu estava lá no 32km, vejo um homem e uma menininha andando de bicicleta do outro lado da rua  e reconheço os meus amores ( não de imediato porque até a vista fica cansada depois dos 30km!) Resolvi fazer mais um km para me juntar a eles. Estava bom!

Fim de treino: missão cumprida
E lá se foi mais um treino de super longo para a coleção, num percurso que adorei e penso em fazer mais vezes!

Meus amores que sempre me resgatam no final das minhas loucuras


Considerações finais:

  • Além do Percurso Novo, que adiei fazê-lo por 3 anos, também resolvi seguir uma dica que já me disseram há muito tempo: tomar soro no dia anterior. Foi uma ótima ideia, senti bem menos sede que das outras vezes! 
  • Não vou conseguir correr no ritmo da maratona de Floripa, mas tenho esperanças que a maratona do Rio não seja tão trágica assim...
  • Ela voltou: a ansiedade comilona pré-maratona, aquela que andou comigo -andou, não, quase me destruiu de tanto torcicolo na preparação para a maratona de Foz!  Que saco!

quarta-feira, 15 de maio de 2019

35km "GRUPAL"



Doze de maio, dias das mães e de super longão, uns 30km. Pensei que iria correr sozinha, pois a Inês disse que não iria poder correr comigo, mas depois me informou que tinha uma amiga chamada Ângela que precisava treinar, que seria legal se corrêssemos juntas. Adorei a ideia, entrei em contato e tudo certo. Depois a Ângela entrou em contato com uma amiga que também precisava treinar para a maratona, a Dri, que eu também conhecia. As duas são amigas também da minha amiga Joana, que resolveu que iria acompanhar a gente de bicicleta, um apoio muito útil para todos nós.  Então resolvi chamar o meu vizinho Márcio, aquele mesmo que já fiz super longos duas vezes e ele também iria. E, de repente, a Inês deu um jeito e conseguiu ir com a gente, junto com a Bete. E um treino difícil que seria solitário tornou-se um treino num grupo grande, o primeiro que participei, porque se existe um grupo difícil de achar é um que tope correr acima de 30km, afinal esta distância é coisa de gente meio doida, vamos falar a verdade! Mas, felizmente, o número de doidos maratonistas anda aumentando e isto é muito bom!
A grande responsabilidade da minha parte era guiar o pessoal no percurso e por mais que ele fosse meio cheio de buracos (Sumaré não tem jeito) e com uma grande subida em Americana,  é o único que conheço que é, na maioria do tempo, plano e com muitos pontos de água e banheiro. E sem voltas e voltas. E lá fomos nós, antes das 6 horas, ainda escuro, num ritmo que fosse confortável para todos.

Algumas paradas no início para banheiro, lá pelo km 6, local onde me deu um medo tremendo porque o meu tendão começou a doer, pois o corpo começou a esfriar. Depois foi tranquilo até a “subidona” de Americana , que andei sem remorsos. Teve parada no Bike Hotel para fotos e bebidas, depois outra parada no Mercado São Vicente e, bem, para falar a verdade foram muitas paradas, mas na minha opinião isto é bom porque a gente descansa um pouco a musculatura. Aliás, eu só acho que as paradas são um problema quando ultrapassam um minuto e, no caso de grupos grandes, é inevitável. 

Mas, como toda corrida, até as que são treino como neste domingo, o melhor fica para a reta final.  Segue a narração:

“ A guia Josi- eu- começou a ficar para trás no 25km, e tudo bem, pois ela achava que todo mundo sabia o caminho de volta. Bete, a corredora com biótipo e velocidade de queniana, assumiu a liderança, seguida pela Dri que além de ser a única que ainda não era quarentona do grupo, seguia firme e forte no treino. A Inês, que partilha a genética da Bete, precisou parar, mas rapidamente alcançou a irmã e todas sumiram no horizonte, junto com a Joana, que estava de bicicleta e ficou ao lado da amiga Dri para dar uma força e esqueceu que o pessoal do fundo poderia precisar de água também (maratonista de elite, mas iniciante no apoio, nada é perfeito) A ex-guia precisou de água novamente e foi comprar água no bar e ficou enrolando tomando água gelada e depois só conseguia ver a Ângela. Márcio desapareceu completamente e a narradora aqui acreditava que ele tinha cortado caminho pelo bairro do Picerno, pois só iria correr 30km. Aliás, a guia que vos fala desligou o Garmim quando deu esta distância, porque para ela “já estava bom!” Mas ela alcançou a Ângela que, ao contrário da guia, NÃO era bunda-mole. Ângela disse:
- Vim aqui para correr 35km! E você vai me guiar para correr os 35km: se vira, o seu treino não acabou!

E então aconteceu o milagre: a guia terminou os 35km, fazendo um tipo de Fartlek para guiar quem não aceitava desistir. E a guia não teve colapso muscular nenhum e descobriu que precisa aprender a parar de frescura e que, talvez, o apelido que recebeu do treinador de Paulínia de “chorona” tenha algum fundamento...
Enquanto isto, ou por volta de uns 5 minutos antes, como foi averiguado depois nos Garmins presentes, a Dri, a Inês e a Bete terminaram o treino numa subida medonha que ia até a casa da guia, pois pegaram o caminho errado e o pior possível:  ainda bem que elas  eram  da elite e tinham água. E o Márcio, depois de completar seus 30km, tomou merecidamente seu suco na barraca de frutas e, infelizmente não saiu na foto final do treino, que é esta aqui embaixo.”



Próximo treino: 35km novamente. Onde? Não sei. Com quem? Não sei. Só sei que ele vai ter que sair. E que legal seria se fosse sob as mesmas condições calorentas e de umidade que o Rio de Janeiro fornecerá...

Tô de volta ao modo Maratonista! Finalmente! O que um treino acompanhado faz com a gente!

quarta-feira, 1 de maio de 2019

52 dias para a Maratona do Rio

I HAVE A DREAM:

Um único desejo: Não me machucar nestes 52 dias. Um outro desejo: só fazer rodagem até lá. E mais um desejo (já sei, não faço contas direito mesmo): O "colapso" acontecer só depois dos 35km.

INTRODUÇÃO: A PREPARAÇÃO PARA MAIS UM LONGO

No dia anterior: não comer besteiras, só carboidratos saudáveis. Recusar a pizza na noite de sábado, senão vai dar merda (literalmente) no super longo. Deixar separada a camiseta, o top, o tênis, a meia, a bermuda mais comprida para não assar as coxas, escolher um óculos de sol que combine-  tenho uma coleção, é o meu atual ponto fraco consumista- e o boné. Também colocar o Garmim pra carregar. Deixar a bolsa de cintura com dinheiro e gel no jeito. Dormir cedo.
Obs: Estou impressionada como estou conseguindo dormir feito pedra nas noites anteriores aos super longos, até achei que estava meio doente, mas no dia posterior vi que não estava porque consegui correr o que planejei. E olha que eu tinha motivos para estar nervosa,  afinal eu faria (e fiz) o super longo com as maiores feras da minha cidade, a Inês e a Bete. O que será que está acontecendo, o meu subconsciente estaria finalmente atendendo aos desejos do meu consciente?

No madrugada do Super longo: Fazer café  de coador - sem leite, pra não dar "merda", comer tapioca, banana, castanhas, um ovo mexido. Banheiro. Arrumar o cabelo dentro do boné para que ele não saia durante 3 horas em movimento. Me besuntar inteirinha  de vaselina (asso até atrás da orelha!) e passar protetor solar em todos os poros do meu rosto e áreas não cobertas pela roupas. Passar o antitranspirante, mesmo sabendo que  terminarei fedendo horrores!
É, não tem glamour nenhum esta história de super longo!

Me besuntei mais que este atleta de Tonga

CAPÍTULO 1: OS PRIMEIROS 10KM

As meninas chegaram e lá fomos nós. Tudo escuro. O meu Garmim ainda não tinha captado o GPS,  paciência. Pace tranquilo, mais ou menos por volta de 5´40 , jamais abaixo de 5. O Gps resolve funcionar após uns3 minutos de treino. Passamos pela "tenebrosa floresta" do Santa Maria, lugar que  vou acompanhada nestes horários. Primeiro posto, primeira água, 3km. O trecho até o próximo posto é agradável, com subidas e descidas leves, na marginal da Anhanguera, com exceção de uma  ladeira de uns 500 metros que só não andei porque estava com elas ( planejei os "vexames" só depois dos 20km). Posto Brasil 500, quase 10km. Tomei meu preventivo contra cólicas e o sol estava nascendo. O óculos ainda não era necessário, tudo era muito lindo!

CAPÍTULO 2: ATÉ OS 20 KM

Há uma subida chata no km 11 e já avisei que iria andar. As meninas não, mas elas tiveram uma estratégia bem gentil para não me deixarem pra trás: elas diminuiram muito o ritmo, até que a bonitona- eu- resolvesse voltar a correr. E elas fizeram isto em todas as subidas em  que fiz estas "graças" e, por isso mesmo, eu tentava andar o mínimo possível. Depois desta subida, não andei mais até o km 18.
É interessante como a gente repara algumas coisas só com campanhia. Quando a Inês disse : "Nossa, que avenida grande!" é que fui perceber que realmente a avenida do Matão nunca acaba! E tinha gente indo para a corrida do Boldrini, que seria na Lagoa do Taquaral onde iríamos, e cumprimentavam e  acenavam pra gente. Já falei que as meninas são famosas na cidade, né?
Paramos para beber água no postinho de saúde do Matão, menos a Bete, que além de achar que as subidas não são subidas, aparentemente não sente sede (fiquei impressionada, estava bastante calor!) e, na almejada descida para o bairro São Marcos em Campinas, uma pedrinha entrou no meu tênis (que raiva!) o que atrapalhou curtir os 2km de descida deste trecho porque tive que resolver este problema. E no começo do São Marcos comecei a ficar cansada, mas não era ainda o "colapso."
Tinha um mercado no km 18, compramos Gatorade e água e enfrentamos ( elas, porque  eu andei)  a subida na Rodovia D. Pedro até o supermercado Tenda.

CAPÍTULO 3: ATÉ OS 29KM

Quando eu chego neste ponto, vendo a rodovia D. Pedro pela passarela, eu sempre penso:  "Agora começou a desgraça" e não era porque eu estava com elas que  pensei diferente. Mas fomos. Meu marido passou de carro por nós e não pedi arrego (daria uma vergonha danada!). Meu dedão do pé tinha adormecido,  ele que se virasse para acordar no restante do percurso! (enquanto escrevo, a unha está roxa e ainda dói, mas não é a primeira vez que isto acontece!)
E eu não sei mais o que fazer porque NOVAMENTE ROUBARAM A MINHA ÁGUA NO KM 24! Fiquei um monte de tempo procurando, minha filha tinha feito até um mapa pra eu achar ( escondi junto com ela dois dias antes) e tive que ir ate a igreja Desatadora comprar água. Já falei que as meninas são pacientes pra caramba, né? E depois de toda esta enrolação, acabei descansando e segui com elas ( mas é claro que andei na subida da Bambini, enquanto a Bete dizia, rindo: "É sério que esta é a famosa subida do Bambini? )
Depois, no caminho de descida até o Taquaral, tudo é festa e o corpo fica normalzinho de novo! As meninas terminaram quando chegamos lá ( elas não param o GPS e eu paro quando ando) e a distância delas estava bem superior a minha. Tomei caldo de cana com elas na Lagoa e continuei a correr até dar 28km no meu Garmim. Na volta, reencontrei com elas e ( nossa, parecia um presente dos deuses)  achamos muito gelo jogado no chão (o gelo descartado para esfriar a água da corrida Boldrini) e aproveitamos para relaxar os músculos com eles. E achamos um corredor conhecido nosso, que tirou esta foto pra gente:

NÓS

CONLUSÃO:
 Não senti nenhum tipo de dor, só cansaço e o "colapso", tavez devido a grande parada na "Desatadora",  não aconteceu. Corri com um pouco de medo de atrapalhar as meninas, mas elas são demais!  Outro medo também foi o de me machucar, não só para a maratona do Rio, mas para a meia de Santos que terei neste sábado. Mas este super longo restaurou um pouco da confiança que eu tinha perdido.
Foi um super longo MUITO FELIZ! Vamos ver o que será possível fazer neste pouco tempo até a maratona do Rio.




sábado, 27 de abril de 2019

Entressafra de uma Maratona


No domingo fazendo 28km agradáveis, na quarta, um susto no joelho e na sexta padecendo de uma dor no tendão repentina!

Definitivamente, eu tinha entrado em entressafra. De novo!

Não sei o que aconteceu, só sei que foi assim, tudo registrado no instragram, meu verdadeiro diário de treino!

E como é que eu faço quando estou com estas lesões estranhas - que nem sei se são pequenas lesões ou stress muscular?  Parar de correr? JAMAIS, porque senão fico com depressão. Só  diminuo a distância até tudo se normalizar. O que é até traquilo quando a gente não tem uma maratona por perto...

Então tudo  ficou assim, segundo meu diário Instagram:

Dia 17 de março: Muita tristeza por perceber que realmente o negócio estava sofrido até para correr 15km!  Chateada, coloquei uma foto da minha barriga sem gordura (Viva Cirurgia plástica!) pra me animar, pra lembrar que nem tudo estava perdido.
Foto postada pra recuperar a autoestima. Sem mostrar as costas, claro...

Dia 21 de março a 26 de março : trotes e a corrida 10 milhas em Salvador. Calor do Caramba, orla linda, muita chuva no dia da prova ( Que sorte!!) e dor no tendão só a partir dos 11km.
"Ai, que saudades da Bahia e destas tranças!

Dia 31 de Março: Trote de 20km acompanhando a minha amiga Joana (o polimento dela para maratona de Santiago) em Americana e mais uma galera  bacana! Dor no tendão só a partir dos 17km.

Dia 7 de abril: Em Ubatuba aconteceu a maior QUEBRA DA HISTÓRIA DE TODOS OS MEUS SUPER LONGOS: Era pra ser 30km, virou 8km correndo e 13km percorrendo trilhas (andando, odeio correr em trilhas!) Não sei se foi o calor, parecia que eu estava passando mal, fiquei empacada como mula e me recusei a tentar. Mas valeu conhecer umas praias novas como a do Frade, Caçandoca e Caçandoquinha. Reforçou em mim a ideia de NUNCA correr as 28 praias de Ubatuba (certeza que torço o calcanhar se eu tentar!) mas me deu uma vontade louca de um dia pegar um mochila e fazer este percurso todo andando, tirando fotos, parando pra comer...

Senti falta de repelente, mas, estranhamente, não senti falta do longão. Pensei seriamente em cancelar a maratona do Rio.

(Aqui uma grande pausa para descrever as loucuras dos pensamentos quando a gente planeja uma maratona, mesmo quando é a 4ª vez, como é o meu caso: correr maratona não é muito lógico, nem agradável. O título “maratonista”, independente da velocidade que a gente corre,  é um incentivo, porém o trabalho é muito árduo e nem sempre vejo sentido em sofrer  por um hobby, pois a vida em si já é uma luta e ainda fico colocando mais uma nesta lista. Quando as coisas melhoram um pouco, é comum voltar aos pensamentos positivos como : “ Vou usar o Rio como diversão e focar na maratona de Curitiba depois”, mas na maioria das vezes, me sinto um tanto estúpida querendo insistir numa distância sofrida destas. Fim da grande pausa)

13 e 14 de abril: Resolvi fazer uma divisão dos 30km: 15 no sábado e 15 no domingo. Primeiro para não criar expectativas com os super longos. Segundo: eu estava passando o fim de semana em Monte Verde, Minas, e só tem subidas por lá. E deu muito certo, fiz um ritmo que gostei e parecia que estava fazendo musculação ao mesmo tempo. Sem dor nenhuma! A experiência lá foi como a pontinha de uma semente aparecendo na minha plantação seca da maratona do Rio.

Tamanho atual das minhas esperanças para a maratona do Rio

Domingo Passado, 21 de Abril, Páscoa: Mesmo com o coração apertado por não poder presenciar minha filha procurando o ovo da páscoa dela ( fiz uma caça ao tesouro, com pistas e tudo) fui correr no percurso “quase plano” na minha região. Tudo bem, tudo tranquilo, tinha planejado 30km. Mas nos 15km ( distância que meu corpo está super adaptado agora) senti uma pequena cólica e vi que o meu ritmo iria desandar. O que fiz? Desliguei o Garmim e corri pra ser feliz daquele ponto pra frente, já sabendo as distâncias daquele percurso. Os músculos começaram a cansar por volta do Km 25, pedi para o meu marido me buscar e tudo bem.  Fui encher a cara de churrasco (aniversário do meu pai) e chocolate depois. Isto já vai fazer uma semana e os chocolates aqui em casa não acabaram ainda, mesmo me esforçando muito para o fim deles...

28 de abril: ?

domingo, 10 de março de 2019

21+21+27+28 = Preparativos para os 42km do Rio/2019


Maratona do Rio: Se eu segurar a minha mania de impulsividade, será a última maratona, pelo menos no Brasil, desta vez está decidido. No currículo, já tenho Foz do Iguaçu, Porto Alegre, Floripa e, se tudo der certo, logo será o Rio. Por mim, está bom. Já corri tantos 21km em São Paulo que já deve ter dado umas 5 maratonas, então nem quero mais. Mas não vou negar que alguns países, especialmente na América do Sul, me atraem bastante: já sonhei que estava correndo nas largas e planas avenidas (foi o que me disseram) de Buenos Aires e fiquei com lágrimas nos olhos quando li sobre a Maratona de Vina Del Mar, no Chile. E Nova York então!  Mas vou ter que ter muita vontade, dinheiro e dias livres para poder corrê-las, então já sei que vai demorar. E, principalmente, me RECUSO a treinar novamente super longos nesta estação chamada verão, é um inferno, e nem comecei os longos acima de 30 km! Não lembro de ter sofrido tanto calor no ano passado nos treinos para a  maratona de Floripa, que foi em agosto. Enfim: se der na louca de correr mais alguma maratona será de agosto pra frente. E longe daqui. 
Maratona de Vina Del Mar (Chile): Como não sonhar😍?
Tirando as  considerações iniciais, vamos para os preparativos (inevitáveis) para o Rio: Foi uma sequência de um mês de treino o título deste texto, algo que nunca havia feito antes, especialmente a sequência 27km num domingo e 28km em outro. Mas tudo tem a sua razão de ser e vou resumi-las aqui rapidamente:
21km: Fui na Meia Maratona de São Paulo, corri totalmente de boa no início, acompanhando meu marido durante 2km e meio. Depois só foi curtir, acho tão legal esta região do Minhocão de São Paulo, a gente se esbarrando com o pessoal saindo da balada na Augusta, aqueles prédios velhos e interessantes, aquele percurso de subidas simpáticas e, para melhorar, estava nublado. Não fosse um acidente que presenciei, teria sido perfeito.
21km que não eram 21 km, eram 30 km: Resolvi começar o meu super longo pelo trajeto mais porrada que conheço por aqui (para treinar a resistência, depois os outros percursos parecem fáceis): Sumaré, Paulínia até a Lagoa do Taquaral em Campinas. Preparei os meus pontos de água no dia anterior e fui sozinha para este desafio. Tinha uma pessoa que iria comigo dos 15km em diante que não foi, mas na verdade, eu já previa isto. O que eu não previa era o calor dos infernos, muito calor mesmo, até pra caminhar estava ruim. Junto com o calor vieram pensamentos do tipo: “Que coisa mais estúpida correr tanto assim!”, “ Grande bosta correr maratona!” e quando meu marido passou por mim de carro, fui até a lagoa com ele. Eu estava muito indignada com o calor: eram 7h:30m da manhã, aquela temperatura deveria ser proibida neste planeta!
27km: Achei que seria bom desta vez não ir desacompanhada  e chamei meu vizinho Márcio pra correr comigo, o que deu muito certo. E nada de tentar ir pra Lagoa do Taquaral, planejei o máximo de percurso plano possível. Estava nublado, até choveu. Paramos várias vezes, mas, na maioria,  para beber água. O percurso foi Nova Odessa e Americana, dando umas voltas a mais na área plana. Tive o “colapso” muscular no km 24, mas acabei conseguindo completar 27km (eram 28 km).
Obs: Colapso Muscular é como chamo aquele momento que o corpo se recusa a correr e a gente o obriga, só que se arrastando.  Até o dia da maratona, espero que o “colapso” ocorra somente a partir dos 35km (porque, no meu caso, ele é inevitável)
28km: Depois do nosso longo de domingo, achei por bem resolver os 30km que tinham virado 21km e chamei o Márcio de novo, que topou. E, é claro, no percurso “da morte” novamente. Mas ele deu a ideia de tentarmos não ir por Paulínia, mas pelo Matão, um bairro enorme de Sumaré. E não é que deu muito certo? O novo percurso tinha menos subidas!  (menos, o que não significa que ainda não fosse pesado) e com pontos de água para todo o lado! Estava calor também, mas desta vez deu certo, fiquei feliz pra caramba!
Menos no Km 27, onde aconteceu o “colapso” MAS 3km  acima da semana anterior, num percurso mais desafiador, não há como negar que o meu corpo está “reagindo”...


Agora serão duas semanas de “férias” de super longos: domingo que vem serão 21km – que vai acabar sendo menos, pois estarei ajudando minha mãe num pós cirúrgico que ela fará, nem sei que horas vou- e depois 10 milhas em Salvador -que já esteve na minha lista de maratonas do Brasil, mas vou me satisfazer com estas 10 milhas mesmo.
Quem sabe consigo encaixar o ritmo da próxima vez?